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Mulher no volante, perigo distante??

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08/03/2013 - Diário do Grande ABC * Cristina Baddini é especialista em trânsito

 No Dia Internacional da Mulher, cabe uma reflexão e uma análise sobre a difícil arte da dirigir bem. Dizem que mulheres dirigem mal, estacionam mal, não entendem nada de carro, porém os acidentes, em sua maioria, são provocados por homens. Cerca de 80% dos motoristas que tiveram sua carteira de habilitação suspensa em todo Brasil são homens. Ter menos multas significa mais segurança e economia. O Departamento Nacional de Trânsito aponta que apenas 11% dos acidentes ocorridos entre 2004 e 2007 tinham mulheres na condução do veículo. Os homens são 77% mais vulneráveis à morte em acidentes automobilísticos nos Estados Unidos, diz um estudo feito pela Universidade de Carnegie Mellon, em Pittsburgh.

ATÉ O SEGURO DO CARRO PARA NÓS É MAIS BARATO

Os homens motoristas correm 78% mais riscos que as mulheres de morrer em um carro, segundo cálculo baseado no número de quilômetros percorridos e que consta deste estudo realizado pela Universidade Carnegie Mellon. Muitas seguradoras acabaram beneficiando as mulheres com o valor do seguro mais baixo, já que todos os estudos mostram que elas provocam menos acidentes. Segundo cientistas da Universidade de Bradford, na Grã-Bretanha, é que o hormônio estrogênio nos dá o poder de mudar o foco de atenção de uma situação para outra de maneira mais rápida e eficaz e assim, dirigir melhor.

SOMOS MAIS DA METADE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA

A relação do veículo com as mulheres é diferente da dos homens. Para os homens, o automóvel é um símbolo de masculinidade e autoafirmação. O homem vê no carro uma extensão dele. ‘Meu carro, meu espaço, meu reduto.' O comportamento da mulher é bem diferente. Ela vê o carro mais como um apoio à vida pessoal dela. Levar o filho à escola. Mulher sempre transporta várias coisas no porta-malas. Para a mulher, o carro é um prolongamento da sua casa. É com ele que a mulher leva o filho para a escola, faz compras, leva os pais ao médico e vai para o trabalho. Ela cuida e protege o automóvel com cuidado e atenção.

NÃO VEJO PAIS DAREM CARRINHOS PARA SUAS FILHAS

Mulheres não são estimuladas a dirigir. Os pais não dão um carro para as filhas quando fazem 18 anos, mas aos filhos isso é estimulado. Assim como mecânica e idolatração de carros. Carro é o símbolo maior da masculinidade. E eu acho isso muito triste. Porque carro é o prejudicial ao nosso planeta. E acho que isso não deveria ser estimulado para ninguém. Nem para homens nem para mulheres. O fato é que o trânsito das grandes cidades é complicado. Em parte devemos à concentração excessiva da frota e poucas políticas públicas para o transporte coletivo. E em parte disso devemos ao machismo e toda essa cultura de força e poder que o carro representa.

DIRIGIR BEM OU MAL INDEPENDE DE SEXO

Mitos à parte, o trânsito é democrático e há lugar para todos os tipos de motoristas, como ensinam os desenhos animados. Das mulheres mais parecidas com a Penélope Charmosa aos condutores que viram monstros ao volante, como o desenho do Pateta. Enfim, a mulher é mais atenciosa, mais dedicada e mais cumpridora das regras de trânsito. E sim, mulheres podem dirigir bem. E muito bem por sinal. Existem os homens e as mulheres que dirigem bem e os homens e as mulheres que dirigem mal. Hoje sabemos que muitos preconceitos são fruto do desconhecimento de que desde a evolução da espécie, os homens e as mulheres são diferentes e possuem habilidades distintas. Infelizmente, o preconceito existe de todas as formas e em todos os lugares. Mais do que viver brigando, discutindo por opiniões, comportamentos, crenças ou afirmação temos é que procurar viver em harmonia e respeitar as diferenças. 

Mas, o ir e vir diariamente de automóvel é um desperdício de recursos naturais e altamente ineficiente quando se trata de locomoção de grandes massas.O mundo precisa mesmo é de pessoas caminhando, indo trabalhar de bicicletas ou viajando de transporte público. Transporte para pessoas e não cidades construídas para carros.

Homem ou mulher, seja responsável pelas suas escolhas e pelos seus atos nas vias públicas.