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Previdência privada segue em crescimento, apesar da crise

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12/04/2016 - Márcia Alves

Em janeiro, planos abertos de caráter previdenciário registraram o aporte de R$ 6,3 bilhões, alta de 24,3% frente ao mesmo mês do ano anterior. Para o presidente da FenaPrevi, Edson Franco, bom desempenho significa que previdência complementar ocupa papel de destaque nos investimentos de longo prazo dos brasileiros.

As contribuições feitas por titulares dos planos de previdência complementar aberta somaram R$ 95,6 bilhões no acumulado de janeiro a dezembro de 2015. O volume é 18,7% maior que registrado em 2014, quando foram aplicados R$ 80,6 bilhões, de acordo com dados informados pelas 71 seguradoras e entidades abertas de Previdência Complementar, representadas pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). Os indicadores consolidados mostram que a captação líquida dos planos (diferença entre captação e resgates) registrou saldo positivo de R$ 48,9 bilhões, volume 22% superior aos R$ 40,1 bilhões registrados no ano anterior.

“Mesmo diante de um cenário econômico adverso em 2015, o investidor manteve a estratégia de buscar formação de poupança de longo prazo para garantir renda complementar na aposentadoria”, diz Edson Franco, presidente da FenaPrevi. Atualmente, 12.501.390 indivíduos possuem planos de previdência complementar aberta, sendo que, deste total, 9.293.887 são participantes de planos individuais (já computados os planos para menores) e 3.207.503 de planos empresariais. Ainda de acordo com a Federação, um total de 86.802 pessoas já usufruem dos benefícios (aposentadorias; pecúlios, por morte e por invalidez; e pensões, por morte e por invalidez) pagos por planos abertos de caráter previdenciário.

Em janeiro deste ano, planos abertos de caráter previdenciário registraram o aporte de R$ 6,3 bilhões, alta de 24,3% frente ao mesmo mês do ano anterior. “Os participantes do sistema seguem fazendo reservas para a aposentadoria, mesmo em cenário de crise, o que mostra que a previdência complementar aberta segue ocupando papel de destaque no investimento de longo prazo dos brasileiros”, diz Edson Franco. Em março, ele participou de almoço do CVG-SP e deixou uma mensagem de otimismo. “Apesar de não ser possível estimar sua duração, a crise é temporária. Quando a retomada ocorrer, virá com muita força”.

Resultado

Os planos individuais foram os que mais receberam recursos no primeiro mês do ano. No total, foram investidos R$ 5,5 bilhões, enquanto que no ano anterior foram registrados R$ 4,3 bilhões. Os planos para menores, por sua vez, acumularam R$ 152,5 milhões, alta de 15% em relação ao mesmo mês do ano anterior (R$ 132,6 milhões). Os recursos destinados a planos empresariais também avançaram e somaram R$ 627 milhões em contribuições em janeiro de 2016, representando crescimento de 6,7% em relação aos R$ 588 milhões arrecadados em janeiro de 2015.

Na análise por modalidade de plano, o VGBL (indicado para quem não tem como se beneficiar da dedutibilidade fiscal prevista no formulário completo de I.R.P.F.), recebeu contribuições de R$ 5,7 bilhões em janeiro de 2016. O PGBL (modalidade de plano indicada para quem tem como se beneficiar da dedutibilidade prevista no formulário completo de I.R.P.F.) registrou R$ 558 milhões. Os planos tradicionais, por sua vez, registraram R$ 63 milhões.

Desafios

Em entrevista ao site da FenaPrevi, Edson Franco aponta as mudanças demográficas como o maior desafio da previdência, seguido pela queda da natalidade, aumento da longevidade e envelhecimento da população. Ele cita os dados do IBGE, que mostram o aumento do número de idosos em 2030, quando haverá no país cerca de 41,5 milhões de pessoas com mais de 60 anos, contra 14,2 milhões em 2000. Paralelamente, o número de jovens está diminuindo.Em 2000, a faixa de 15 a 29 anos era 28,2% da população e, em 2030, deverá ser 21%, resultado da queda da fecundidade. “O contingente de idosos é segmento populacional que mais cresce no País e exigirá mais cuidados previdenciários, de proteção e de saúde”, diz.

Por outro lado, a inclusão social e o aumento da classe média ao longo da última década também trazem uma perspectiva socioeconômica interessante. Independentemente do difícil contexto econômico e político atual, dados do Banco Mundial indicam que a renda per capita do Brasil cresceu de US$ 2.274 em 1993 para US$ 11.384 em 2014. Para Franco, diante desse cenário, o desafio é atuar como agentes de conscientização da população sobre os riscos de perda de renda e de vida e como consequência da importância de se proteger adequadamente.

Além da mudança demográfica e socioeconômica, o perfil do participante em seguro e previdência também esta mudando. Na visão do presidente da FenaPrevi, há um componente cultural que também é importante observar. A média de idade do investidor que hoje aplica em previdência é de 45/46 anos, a geração que ainda tem uma memória inflacionária. Já as novas gerações tendem a ter uma visão mais de longo prazo, pois já viveram experiências de estabilidade monetária e macroeconômica.

“A cultura de poupança de longo prazo muda com o tempo e isso gera a necessidade de soluções mais sofisticadas”, diz. Ele cita o Prev Saúde, o Universal Life e as annuities como novidades que deverão chegar ao mercado, em breve. “Temos também a responsabilidade de formar pessoas, ajudá-las a entender a importância desses mecanismos de investimento e de proteção que correspondam a essas expectativas”, conclui.